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Artigo premiado 2019

Artigo premiado em Encontro Internacional sobre Gestão Empresarial e Meio Ambiente

 

A Professora Sílvia Maria Dias Pedro Rebouças, teve o artigo intitulado “A racionalidade substantiva das práticas de autogestão: Uma análise sobre as dinâmicas organizativas de mulheres na Economia Solidária sob a perspectiva da história oral”, em coautoria com os Professores da Universidade Federal do Ceará  Maria de Nazaré Moraes Soares e José Carlos Lázaro da Silva Filho, premiado como o melhor na área de Estudos Organizacionais em Sustentabilidade, no XXI Encontro Internacional sobre Gestão Empresarial e Meio Ambiente (ENGEMA), que se realizou de 4 a 6 de dezembro de 2019, em São Paulo.

O artigo foi fruto da tese de doutoramento em Administração e Controladoria na Universidade Federal do Ceará da Professora Maria de

Nazaré, orientada pela Professora Sílvia e pelo Professor José Carlos. A tese, defendida em maio de 2019, teve como objetivo investigar como as práticas de autogestão das mulheres na Rede Economia Solidária e Feminista (RESF) refletem a racionalidade substantiva de uma gestão
feminista e se concretizam como um modelo exequível de organizações produtivas.

A tese combinou as abordagens quantitativa e qualitativa, tendo recorrido à triangulação para um estudo mais aprofundado e uma melhor compreensão da realidade vivida pelas mulheres da RESF.

Na etapa quantitativa, foram utilizados dados de duas fontes:

  • base de dados brasileira mapeada pelo Sistema Nacional de Informações em Economia Solidária (SENAES), entre os anos de 2010 a 2013, abrangendo 19.708 empreendimentos;
  • dados resultantes da aplicação de um questionário estruturado a 150 mulheres que fazem parte da RESF no estado do Ceará, que incluiu variáveis referentes à justiça de género (Fraser, 2002) e às práticas feministas de gestão (Martin, 2003).

A análise dos dados foi feita através de estatística descritiva, inferencial e de técnicas de análise multivariada, nomeadamente, análise fatorial e regressão linear múltipla.

A análise fatorial permitiu organizar as práticas feministas de autogestão em sete dimensões:

  • promove emancipação para a autogestão;
  • promove a valorização da mulher e da razão prática feminista;
  • luta por resultados transformadores;
  • promove aprendizagem, democracia e participação;
  • promove maior conscientização;
  • valoriza a preocupação e cuidados mútuos;
  • promove laços comunitários e cooperativos.

A justiça de género foi organizada em cinco dimensões:

  • reconhecimento;
  • redistribuição do trabalho produtivo;
  • redistribuição do trabalho reprodutivo;
  • representação sociopolítica;
  • representação sociocultural.

A regressão linear múltipla permitiu analisar a influência das práticas feministas de gestão na implementação da justiça de género, segundo cada dimensão identificada.

Da complexidade dos construtos em estudo, emergiu a necessidade de uma análise de ordem qualitativa que se aproxime da voz das mulheres da RESF, concretizada com a recolha de dados através de:

  • observação das práticas das mulheres no cotidiano da gestão dos empreendimentos da RESF, resultando em 55 horas e 30 minutos registrados em 20 diários de campo desde o ano de 2016;
  • entrevistas semi-estruturadas realizadas junto a cinco produtoras da rede, sob o enfoque da história oral, que visa captar as vozes periféricas.

Esta etapa permitiu identificar novas práticas feministas de gestão na RESF, sob o paradigma da autogestão:

  • Possibilita o trabalho flexível sob a perspetiva da alteridade;
  • Desenvolve a aprendizagem coletiva e em rede;
  • Promove uma gestão orgânica de conflitos.

A tese demonstrou que as práticas feministas de autogestão se desenvolvem com algum nível de instrumentalização, predominando, contudo, a visão de gestão substantiva, com primazia da ação coletiva, do respeito às diferenças individuais e da busca de equilíbrio entre sujeito e organização.

O artigo premiado no XXI ENGEMA, de natureza exploratória, visou discutir a racionalidade substantiva neste contexto da Economia Solidária, na perspetiva da história oral, que privilegia as vozes esquecidas ou invisibilizadas, de sujeitos muitas vezes à margem das dinâmicas da economia e da sociedade.

 

Referências:

Fraser, N. (2002). Políticas feministas na era do reconhecimento: uma abordagem
bidimensional da justiça de gênero. In: Bruschini, C. and Unbehaum, S.G. (orgs.). Gênero, democracia e sociedade brasileira. São Paulo: FCC; Ed. 34, p. 59-78.

Martin, P. Y. (2003). “Said and done” versus “saying and doing”: Gendering practices, practicing gender at work. In: Gender & Society, 17, 342-366.

Soares, M. N. (2019). Práticas feministas de autogestão em empreendimentos formados por mulheres na Rede Economia Solidária e Feminista. Tese (Doutorado em Administração e Controladoria). Fortaleza: Universidade Federal do Ceará. 374p.

Soares, M. N.; Rebouças, S. M. & Lázaro, J. C. (2019) A racionalidade substantiva das práticas de autogestão: Uma análise sobre as dinâmicas organizativas de mulheres na Economia Solidária sob a perspectiva da história oral. São Paulo: Anais do XXI ENGEMA.

dezembro 30, 2020

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